São 3:25 da manhã e sim estou dopada de sono. Acabo de ver Na natureza selvagem( Into the wild) e simplesmente tive que vir até aqui escrever, apesar da sonolência absurda. O filme levantou tantas questões dentro de mim, as quais eu já tinha e não tenho resposta e outras ainda mais profundas, mais conflitantes. Ainda vou escrever com calma sobre cada uma, mas agora vou só deixar os dedos fluirem sem me importar muito com organização de ideias, coesao e tal. Cara, liberdade. Se eu levar ao contexto da minha vida, eu não penso em me libertar dessa sociedade doente. Não, por enquanto. A hipocrisia dela cada vez me incomoda mais, mas primeiro de tudo preciso definir e esclarecer pontos centrais dentro de mim. Analisar as minhas contradições e não deixá-las de lado. Preciso argumentar e contra-argumentar comigo mesma e principalmente sentir o resultado dessa dialética de forma verdadeira. Isso é liberdade. Eu tenho buscado, cada vez mais me livrar de preconceitos, de medos e tabus. Preciso me libertar também dos vícios. Nada ilícito, calma. Meu principal e mais nocivo vício é o meu pensar. Minha mente tem válvulas de escapes venenosas, que me amarguram de tal forma que chegam ao ponto de causar uma dor física. É uma batalha que, desde que resolvi assumi-la, se mostra muito extenuante e requer muito de mim. Cansa disciplinar a mente, você não tem ideia como. É tão mais fácil se deixar levar e ao mesmo tempo, tão mais dolorido. Acho que quando eu conseguir um pouco mais de disciplina, de forma que meu esforço seja um pouco mais automático e eu me livre dessa Milena que me faz mal, eu chegarei a um ponto crucial da minha vida. Um divisor de águas realmente, pois a liberdade que eu terei alcançado somada à maturidade advinda da dor forçada e do confronto ideológico proposto pelas situações, me darão uma visão tão mais clara e consequentemente um alívio maior no meu peito. Uma forma de paz eu espero. Sei que isso não é algo que conseguirei tão cedo... a mente é teimosa, as contradições são muitas e a dor, como eu já disse em outras vezes, é um vício. Contudo, acho que ter essa percepção, estar traçando esse caminho já é um grande passo, eu sinto isso dentro de mim. Quando começo a organizar questões assim, eu me sinto diferente. É uma calma fria, austera. O sono quase vai embora, os olhos estão mais abertos, assim como a mente. Há tanto a resolver, há tanto a pensar. Não quero perder mais nem um minuto nessa apatia ansiolítica. Não quero e não vou.
Para terminar o post, uma das muitas frases que apareceram no filme e que estão como "post it"s na minha cabeça:
"A verdadeira felicidade é aquela que é partilhada"
HUMBERTO WERNECK NA COZINHA DA DOIDIVANA
Há 6 anos




